Artigos Grafologia

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RAFAEL SCHERMANN

“A expressão facial de um homem e sua caligrafia
são os dois espelhos de sua alma”.

... Ainda menino, Rafael costumava guardar envelopes que seu pai eliminava e fazia perguntas sobre as pessoas que os tinha escrito. Estas se fossem visitar seu pai, ficava a observá-las.
Colecionador de grafismos enchia todas as gavetas que podia. Seus pais não conferiam muita importância ao que fazia, mas é certo que desde então seu dom já despertava.
Na escola, quando tinha 10 anos, estudava a escrita dos colegas.
Depois de concluído o ginásio, começou a trabalhar numa Companhia de Seguros. Embora fosse este o caminho mais almejado por seus pais, sua ocupação continuava proporcionando novas amostras de escritas – as quais podia estudar a vontade. E foi quando então pôde comprovar num processo de seguro contra incêndio que o assegurado mentia em um dos itens, pelas letras mal-acabadas, desaparecendo no fim. Foi até a casa do assegurado e comprovou a mentira do fato requerido.

Rafael Schermann foi um grande pesquisador da escrita e por meio da sua percepção intuitiva, traçava o perfil da personalidade do autor. Nem sempre fazia uso de métodos específicos para compreender a dinâmica do grafismo.

Curiosamente, podia até mesmo fazer o inverso, ou seja, por meio de uma fotografia, reconstruía a escrita da pessoa. Por isso, foi por muitas vezes submetido a avaliações médicas, sujeitando-se a testes e exames em Viena, Nova York e Paris.
Sempre impressionava em suas conferências. Admiravelmente e também por meio das assinaturas conseguia definir a atividade profissional da pessoa. Seu nível de acerto sempre foi muito grande; mesmo sem nenhuma relação direta com o ocultismo, embora pudesse parecer. Chegou a cometer alguns equívocos que não desejava esconder, inclusive para não ser considerado mágico.

Quando Schermann olhava uma escrita, dela em sua mente se formava um quadro e uma imagem. Um exemplo: diante de uma escrita – sem saber de quem era - falou para seu amigo que via um cavaleiro a galopar selvagemente. O amigo lhe disse que era a escrita do seu pai que cavalgava exatamente assim...

Dizia Schermann que o cérebro traça uma letra por meio da mão; ela, a escrita, tem vida...respira e até mesmo tem sintomas de doença e de morte. A escrita vive com seu possuidor, envelhece e morre com ele.
“... toda grafia tem sua especialidade individual que o grafólogo vê de imediato...”.

Para ele, a expressão facial, as preocupações, a alegria e o riso estão expressas na grafia, contudo, somente para os olhos de quem sabe ver...

Schermann experimentou situações também não muito agradáveis quando convidado a falar em público sobre a pessoa presente na platéia que lhe entregava um pedaço de papel escrito por ela.
Concluiu, por estas experiências que, “a escrita de um homem é sua propriedade, bem como os segredos que ela dissimula... ninguém tem o direito de expressá-la em público”. Rafael teve muitas vivências deste tipo, porque era convidado para muitas conferências.
 
Ante aos exaustivos experimentos médicos, testes ou pesquisas,  aos quais foi submetido, chegou a sofrer um colapso nervoso, com o que lhe foi prescrito prolongado repouso.

“Schermann parece ter um sexto sentido, um sentido de intuição desenvolvido a um grau que nem em mil anos o resto do mundo chegará a alcançar”. Dr. Crampton em nota ao New York Times.

Sua maior satisfação era poder ajudar as pessoas, especialmente quando conseguia evitar alguma tragédia por assim dizer, ou fazer alguma orientação que fosse válida para a vida da pessoa ou de sua família.

Contudo, Schermann não gostava muito de falar de si mesmo, ou da sua habilidade, porque não queria que parecesse estar se “gabando” de tal fato. Ao contrário, escrever seu livro, não foi uma tarefa tão fácil para ele; por insistência de tantos amigos o fez com o intuito de partilhar das inúmeras vivências que teve ao longo da sua vida.

Livro: Os Segredos da Caligrafia
Editora Record - 1976

Por: Cristianne Valladares
cristianne@enfoquerh.com.br
Outubro/ 2007

 

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